outubro 18, 2007

CDC – Crédito Direto ao Consumidor

Posted in Educação financeira tagged , , , , às 20:58 por Arthur Gouveia

Calculadora– Arthur, você chegou a falar sobre o CDC como forma de ter acesso a crédito.

– Falei sim, Pedro.

– E como funciona esse negócio?

– O CDC é uma modalidade de crédito para aquisição de bens duráveis e serviços. É fornecido por bancos, financeiras e estabelecimentos comerciais que vendem produtos financiáveis via CDC…

– Hum……..

– Calma! Já dou mais detalhes! O CDC tem prazo variável entre três e 36 meses. Geralmente os juros são pré-fixados, mas para prazos maiores que 12 meses pode haver algum reajuste pela TR ou pelo IGP-M.

– E esses juros, são altos como os do cheque especial e do cartão de crédito?

– Não, Pedro. Os juros são menores até mesmo que o crédito pessoal, mas isso só é possível por que o agente financiador pede garantias…

– Que tipo de garantias?

– Quando possível, o próprio bem adquirido é dado em garantia. Isso se chama alienação fiduciária. Entretanto, os juros não são flexíveis caso você tenha um bom histórico pagador…

– Parece uma boa alternativa.

– É sim. Mas ainda é melhor comprar à vista.

– Claro…

– Algumas dicas para aquisição do CDC são: leia o contrato antes de assinar…

– Duh!

– Duh, nada. Muita gente tem preguiça. Os juros devem ser informados claramente ao cliente. O Código de Defesa do Consumidor (legal, também é CDC) exige isso. Pesquise as taxas disponíveis no mercado entre as diversas financeiras. Busque a melhor alternativa em termos de taxas e prazos observando o valor total pago, e não apenas o valor da prestação. Cuidado com os seguros. Em alguns casos as lojas exigem seguro para o produto, seguro para perda de emprego, seguro de vida, seguro contra inundação no Nepal. Tente fazer o negócio mantendo apenas aqueles seguros que você julgar necessário. Não caia no conto do vendedor…

– E daí é só levar o produto pra casa e pagar todo mês o carnê…

– Isso mesmo, Pedro. Todo mês tem uma folhinha do carnê pra ser paga, e se não pagar, o vendedor pode pegar o produto de volta…

outubro 8, 2007

O parcelamento dos desejos

Posted in Educação financeira tagged , , , às 17:29 por Arthur Gouveia

CalculadoraVictor vai visitar Arthur em seu apartamento.

– Credo Padrinho! Até hoje a sala tá vazia! Só tem um sofá.

– Mas já melhorou. Da última vez que você esteve aqui não tinha nada!

– É, mas já faz quase dois anos que você casou.

– Eu sei, mas não dava pra comprar tudo de uma vez.

– Ué, mas se você fica investindo, é porque tem dinheiro. Se tem dinheiro dá pra comprar os móveis!

– Não é tão simples assim, carinha. Recebo meu salário e logo invisto um pouquinho, pago a previdência privada, pago as contas e, se sobrar, compro alguma coisa.

– Ah, mas dá pra comprar à prestação.

– Eu sei, mas não quero.

– Por que não?

– Por causa dos juros. Se o sofá custa R$2.000,00, com os juros pode ir a quase R$4.000,00!

– É mesmo? Nossa!

– Pois é. Eu prefiro parcelar de outro jeito. Parcelar a compra e não a conta.

– Não entendi!

– É simples. Eu não vou comprar um sofá só por que a sala está vazia, só por que as visitas iriam falar mal. Eu compro as coisas quando eu e a Amanda achamos que é realmente a hora. E isso se tivermos dinheiro pra comprar à vista.

– Mas você ganha o suficiente pra pagar tudo à vista?

– Não, mas, quando decidimos comprar alguma coisa fazemos uma reservinha. Guardamos um pouquinho todo mês pra, no futuro, ter o dinheiro suficiente.

– E foi assim que você comprou o sofá?

– Foi assim que compramos tudo aqui em casa! O sofá, a geladeira, o microondas, a máquina de lavar, a TV… Primeiro juntar dinheiro e depois comprar.

– Nossa, tudo à vista?

– Não exatamente. Às vezes financiamos alguma coisa, mas no máximo em três vezes. E nunca fizemos duas dívidas ao mesmo tempo! Agora, quanto a esse sofá no qual você está sentado, guardamos o dinheiro. Quando eu recebi um dinheiro extra da empresa e vimos que tínhamos o suficiente para o sofá, fomos às compras.

– E aí comprou o sofá…

– Não só o sofá! Fomos à loja e fizemos uma super negociação. Tinha visto em outra loja uma mesa de jantar por R$4.000,00 e nessa em que compramos o sofá, conseguimos por R$4.600,00 o sofá, a mesa de jantar e dois pufes!

– Nossa!

– Pois é, e tudo por ter o trunfo de pagar à vista. Negociei o que podia com a vendedora, a gerente cedeu mais um pouquinho e a negociação final foi direto com o dono da loja! No fim das contas ele deu um super desconto e ainda dividiu em três vezes! Foram três horas escolhendo tudo e negociando, mas valeu a pena. Economizamos um bocado!

– Caramba!

– Pois é, Victor. Vê se aprende! Evite fazer dívidas. Compre à vista, negocie tudo, compre só aquilo que você consegue pagar! Eu evito ao máximo parcelar as minhas contas, prefiro parcelar os meus desejos e necessidades. E você?

setembro 28, 2007

Um bate papo sobre gastos

Posted in Educação financeira tagged , , , , às 15:56 por Arthur Gouveia

Hoje vocês verão a estréia de alguns personagens no Endinheirado através de um bate-papo entre Arthur e Léo. Acho que assim o texto fica mais gostoso de ler e pretendo continuar postando nesse formato. Comentem, dêem seu feedback.

– Pô Arthur, você acredita que sobrou dinheiro na minha conta? Paguei todas as contas, investi um pouco com foco no longo prazo e aumentei minha reserva para emergências.

– Parabéns, você conseguiu! Viu como não é difícil fazer o seu dinheiro ser maior do que o mês?

– É… Disciplina é fundamental. Foi bom eu pagar as contas, investir e poupar antes de sair gastando.

– Você falou tudo. Disciplina é fundamental. E agora o que vai fazer com o dinheiro? Vai se premiar por ter conseguido?

– Pois é, estou pensando em comprar um notebook com esse dinheiro. Tem uma loja perto de casa que divide em 24 vezes! A prestação cabe direitinho no meu orçamento! Legal, não é?

– Não, não é.

– Como assim?

– Ué, você já tem um computador!

– Pô, Arthur! É um Athlon XP 1600. O HD é só de 40 giga e o bicho só tem 512 MB de memória RAM. O Notebook é dez! Vem com webcam integrada, wireless e bluetooth, tem dois giga de RAM expansível, só a placa de vídeo tem 512MB de memória. O HD é de 160 giga, gravador de CD e DVD processador dualcore de nem sei quantos gigahertz!

– E daí?…..

– Qualé Arthur! É um super computador!

– E daí?….

– E daí o que?

– Pô cara! Pra que você usa seu computador? Pra ficar baixando música e olhando site de sacanagem! Pra isso precisa de um super computador? E além disso, um PC com essa mesma configuração pode custar a metade do preço.

– É, mais um notebook é mais legal. Todo mundo lá no trabalho tem um! Até meu cunhado comprou e fica tirando sarro que o notebook dele faz isso, faz aquilo. Que ele acessa à internet da cozinha, do quarto, do banheiro…

– Por mim seu cunhado podia acessar a internet de dentro da banheira! Não foi ele que teve que vender o carro pra pagar um monte de dívida?

– Esse mesmo! Lembra só que carrão ele tinha? Aquilo é que era carro!

– Pô, Léo. O cara tava atolado até o queixo em dívidas! Aposto que ainda está, e fica por aí arrotando arrogância. E você ainda admira o mané! Qualé, quer ser igual a ele? Quer ser igual a seus colegas de trabalho? Que tal querer ser igual a você?!?!?!?!

– Como assim?

– Você não precisa do notebook e sabe disso. Se seu PC não te atende mais, dê um upgrade nele. Se ele tá muito ruim, troca por outro, mas dá pra manter o monitor, o teclado, o estabilizador…

– Pode ser…

– Claro que pode ser! Faz o seguinte: vá até a loja de computadores perto da sua casa e dê uma boa olhada em um PC sem monitor e peça pro vendedor te dar um orçamento por escrito com todas as especificações detalhadas do equipamento.

– Vou mesmo! Tem um computador com gabinete preto, néon, laterais de acrílico! Lindão!

– Você quer um computador ou uma peça de decoração?

– Pô, Arthur, mas você é um grande de um estraga-prazeres…

– Ha ha ha ha! Vai lá na loja, pega a especificação e guarda. Pega o dinheiro que sobrou na sua conta e investe. Repita isso e daqui a uns seis meses volte na loja e veja o que aconteceu com o preço. O computador ainda vai ser um super PC e vai estar bem mais barato.

– Ah, mas vou ter que esperar seis meses?

– Vai! Se até lá você achar que ainda precisa do PC, poderá comprar à vista sem pagar juros. Durante esses seis meses você vai fazer os juros trabalharem pra você e não contra você. Se depois de seis meses você já tiver esquecido do PC, pode até comprar outra coisa mais útil. Por falar nisso, essa sua camisa hein?

– O que tem?

– Já tá meio velhinha e apertada…

– Pô, mais é de estimação…

– Tá certo. O computador não é. Percebe que algumas coisas são necessárias comprar e outras você compra só porque são modernas, são bonitas, estão na moda ou todo mundo tem?

– É, você está certo.

– Pois é. Você deve gastar seu dinheiro sim, mas gaste consciente. Não desperdice o dinheiro que você conseguiu gastar. Vá jantar com a Lú, leve ela ao teatro, ao motel…..
Avalie a necessidade, avalie o que você precisa, avalie o que você quer. Pague à vista. Não faça dívidas! Respeite seu dinheiro que ele irá te respeitar.

– Valeu, Arthur!