outubro 22, 2007

Com que fundo eu vou?

Posted in investimentos tagged , , , , , às 17:40 por Arthur Gouveia

Porquinho– Bem, Arthur. Estou pensando em investir em algum fundo de investimentos. Já aprendi a ler um prospecto, mas agora estou em dúvida sobre qual fundo escolher…

– Isso é comum, Léo. Os bancos oferecem diversas opções e às vezes ficamos em dúvidas. O importante é saber que para cada tipo de fundo de investimentos há um momento ideal para entrar e para sair.

– Sério?!?!?! Como saber esses momentos?

– Fácil. Saiu um artigo no Infomoney falando sobre isso. Os especialistas José Godoy, Luiz Gustavo Medina e Marco Antonio Gazel Junior deram as dicas…

– Que dicas são essas? Estou ficando curioso!

– Vamos lá. É uma boa idéia investir em um fundo DI quando os juros estiverem baixos, estáveis com tendência de alta ou subindo. Mas se os juros estiverem muito baixos, como foi o caso dos Estados Unidos em 2002, o rendimento desse fundo se torna tão baixo que vale a pena procurar outro tipo de aplicação. Tem também os fundos de renda fixa pré-fixados. Deve-se buscar esses fundos quando os juros estiverem com tendência de baixa, mas deve-se evitá-los quando os juros chegarem a um patamar muito baixo.

– Sei… Mas quero algo que renda mais, mesmo que tenha que assumir um pouco de risco.

– É assim que se fala! Então tente os fundos multimercados. Essa é tida como a categoria mais moderna que existe por misturar a gestão de renda fixa e variável. Quanto mais baixo o patamar de juros, melhor para investir. É interessante permanecer na carteira por ao menos nove meses para compensar as oscilações mensais dos retornos, mas quanto mais tempo melhor para aproveitar os benefícios do Imposto de Renda regressivo. Já se o tempo que tem para seu dinheiro for inferior a nove meses ou se houver necessidade de garantia de rentabilidade mensal, pule fora desse barco. Outra alternativa são os fundos de ações. Deve-se buscar esse tipo de aplicação em períodos de crescimento econômico. De preferência, a aplicação deve ser de, no mínimo, 18 meses. Caso você não tenha a disponibilidade de aguardar ao menos 18 meses ou caso o país esteja passando por um momento turbulento.

– Legal.

– Uma alternativa para quem pretende viajar ao exterior são os fundos cambiais. Devem ser usadossempre que tiver necessidade de proteger o patrimônio em relação a alguma moeda, não para ganhar dinheiro, mas sim para garantir algum compromisso futuro, como uma viagem ao exterior, por exemplo. Caso contrário, fique fora desse tipo de fundo já que não há como prever se o Real vai valorizar o desvalorizar. Especular aqui pra tentar ganhar dinheiro é muito perigoso.

– Beleza, Arthur!

outubro 6, 2007

Desmistificando o prospecto

Posted in investimentos tagged , , , às 07:03 por Arthur Gouveia

– Cara me ajuda! Tô pensando em investir nesse fundo de renda fixa mas não entendo nada do que tá escrito aqui!

– Calma, Léo. Devagar. Que papel é esse?

– Um tal de prospecto…

– “Um tal de prospecto”??? Este é o documento mais importante de conhecer antes de contratar um fundo!

– Percebi. O site do banco fala “Recomendamos a leitura detalhada do prospecto antes de contratar nossos fundos”.

– Com certeza. Tem um pouco de “economês” e de linguagem que parece difícil, mas na verdade não é.

– Me ajuda?

– Claro, Léo! Tô aqui pra isso! Dá aqui o prospecto.

– Toma.

– Bem, vamos começar pela primeira página. Aqui estão algumas informações gerais importantes sobre o fundo. Primeiro. O selo da Anbid garante que o prospecto está de acordo com o código de auto regulação da Anbid para a indústria de fundos de investimentos.

– Bem, isso deve ser bom…

– Com certeza é! A primeira página também traz informações sobre a classificação do fundo. Olha aqui, este é de Renda Fixa e de longo prazo. Longo prazo para esses fundos significa prazo maior que 365 dias. Fala também que o banco não dá nenhuma garantia sobre o valor aplicado. Além disso deixa bem claro, olha aqui, que os retornos passados não são garantia de rentabilidade futura.

– Sem garantias?

– Isso mesmo. Normalmente estes fundos de renda fixa apresentam baixo risco mas, por norma, o banco deve dizer que não se responsabiliza por eventuais perdas. Só burocracia. Olha aqui, virando a página. Os objetivos do fundo. Este é um dos pontos mais importantes do prospecto. Será que os objetivos do fundo combinam com os seus?

– O que tá escrito aí?

– O fundo tem como objetivo proporcionar a rentabilidade de suas cotas, através da diversificação dos ativos que compõem sua carteira, mediante aplicação de seus recursos em cotas de fundos de investimento, doravante denominados FI’s.

– O que é isso?

– Que esse fundo aplica em outros fundos. Não busca um rendimento semelhante à Selic, ao Ibovespa ou a qualquer outro indexador. Ele vai buscar uma taxa de juros média à do mercado, semelhante à que outros fundos renderiam.

– Ah, saquei.

– E aí? O objetivo do fundo corresponde aos seus objetivos? Um rendimento médio, semelhante ao rendimento encontrado em outros fundos no mercado, com prazo de um ano e sem garantias?

– Como assim prazo de um ano? Significa que não posso sacar antes de um ano?

– Não é isso. Ele quer dizer que no curto prazo a rentabilidade pode oscilar mais que em outros fundos que investem em ativos de curto prazo. Quer dizer que o gestor do fundo estará mirando em boas rentabilidades no prazo de um ano sem se preocupar muito com as variações de curto prazo. De qualquer forma, se você quiser aplicar em um dia e sacar no outro, pode. Vai pagar uma boa grana de imposto de renda e IOF, mas pode

– Então o fundo está de acordo com os meus objetivos! Vamos continuar a leitura.

– Outra coisa muito importante é o perfil de investimentos do fundo. Dê uma olhada nos ativos nos quais o fundo investe. Olha só aqui: no mínimo 95% do patrimônio do fundo será investido em cotas de fundos de renda fixa. No máximo 5% de títulos públicos, títulos privados de renda fixa e depósitos à vista.

– Interessante. Então o fundo não vai se meter com ações, fundos de risco ou outras coisas?

– Exatamente. Aqui está explícito que o seu fundo vai investir apenas em fundos de renda fixa que apliquem em papéis de baixa exposição ao risco.

– Legal.

– Outra coisa importante é saber quem é o gestor do fundo de investimentos. Nesse caso o banco é o administrador do fundo, mas não é o gestor. Administrar o fundo significa contabilizar e distribuir as cotas do fundo, distribuir os extratos, entrar em contato com o cliente. Gerir o fundo significa comprar e vender os ativos buscando a rentabilidade mostrada no objetivo no fundo.

– Bem, então não basta conhecer o banco, tem que saber se o gestor do fundo é bom.

– Sem dúvida. Uma boa dica é pesquisar a rentabilidade de outros fundos geridos pelo gestor desse fundo.

– E esse negócio aqui. Taxas e despesas?

– É a parte que machuca o bolso. Essa parte é até fácil de ler. Aqui, por exemplo, fala que a taxa de administração é de 3% ao ano. Uma taxa alta! Isso pode inviabilizar o rendimento do fundo.

– Mas essa taxa é cobrada uma vez ao ano sobre tudo o que o fundo rendeu?

– Não exatamente. Olha aqui: a taxa de administração é calculada e cobrada todo dia útil, sobre o patrimônio líquido. O valor das cotas e a rentabilidade do fundo são divulgados já descontados a taxa de administração.

– Ah, então quando eu vir a rentabilidade em meu extrato, é sinal que o fundo rendeu mais, só que me descontaram a taxa de administração?

– Exatamente! Em alguns fundos pode existir também a taxa de performance.

– O que é isso?

– É quando um fundo promete, por exemplo, render ao menos o equivalente ao Ibovespa. Se o fundo render mais que isso, ele fica com uma parte desse rendimento extra.

– Ah, mas aqui nesse fundo de renda fixa não tem isso, né?

– Não. Mas tem imposto de renda.

– Ah, isso eu imaginava.

– Pois é, olha aqui. Aqui estão todas as regras de tributação. A taxa varia em função do tempo que você deixa o dinheiro aplicado. Quanto mais tempo o dinheiro ficar lá, rendendo, menor será o imposto de renda.

– E o resto do prospecto, Arthur? Tem algo importante?

– Alguns detalhes. As regras de movimentação e fatores de risco.

– Regras de movimentação?

– Sim. O valor mínimo do aporte inicial, o valor mínimo dos aportes esporádicos, o saldo mínimo que você tem que deixar no fundo etc.

– Bem, até que foi fácil.

– Pois é, não é nenhum bicho de sete cabeças.

– Valeu!

– Leu o prospecto, gostou? Invista!

Obrigado pela ajuda, Navarro. Um excelente artigo de um excelente blog que pode te ajudar a entender um prospecto.

outubro 4, 2007

Mapa do Tesouro…

Posted in Dicas, investimentos tagged , , às 19:00 por Arthur Gouveia

Baú do tesouroArthur e Amanda conversam durante o jantar…

– Môr – diz Amanda – você que está estudando esse negócio de finanças, será que eu saio da caderneta de poupança?

– Tá pensando em entrar no mercado de Ações????

– Não!!!! Ainda acho que não estou pronta pra essas fortes emoções. Meus R$600,00 em fundos de ações já são arriscados o suficiente para mim.

– Bem, o Navarro colocou no blog dele algumas opções de investimentos falando das vantagens e desvantagens de cada uma delas. Foi meio superficial, mas já é alguma coisa.

– Ah, tá! E você vai deixar eu entrar no Dinheirama sem ficar dando palpite e lendo por cima do meu ombro, vai???

– Hahahahahahaha. É verdade.

– Então. Se fosse você, onde investiria?

– Olha amor, uma alternativa interessante pra você que tem uma leve aversão ao risco é investir em títulos públicos.

– Hein? O que é isso?

– Os títulos públicos são ativos de renda fixa. O governo lança esses títulos no mercado como uma forma barata de conseguir dinheiro para pagar as dívidas e investir no país.

– Ah, mas isso deve ser caro e difícil!

– Não, Môr! A partir de R$100,00 é possível comprar esses títulos. E tudo pela Internet!

– E o risco?

– É o investimento menos arriscado que existe no Brasil! Não tem nada melhor!

– Mas deve ser aplicação de longo prazo, né?

– Não, amor! Existem diversos tipos de títulos. Cada um para um perfil de investimento. Tem a Letra Financeira do Tesouro (LFT) e a Letra do Tesouro Nacional (LTN). Essas duas são para o curto prazo. Para o médio prazo tem as Notas do Tesouro Nacional séries B, C e F (NTN-B, NTN-B Principal, NTN-C e NTN-F).

– E quais as diferenças?

– As LFT têm rendimento diário vinculado à Selic. No dia do vencimento do título você recebe o valor investido (principal) e os juros. As LTN têm valor de resgate de R$1.000,00. Você compra com deságio e recebe esse valor no dia do vencimento. As NTN série B têm rendimentos vinculados ao IPCA (indicador de inflação) mais uma taxa de juros definida no momento da compra. Na NTN-B você recebe os juros semestralmente e, no dia do vencimento, recebe o valor investido. Já a NTN-B Principal paga tudo, os juros mais o principal, no dia do vencimento. As NTN-C têm seu rendimento vinculado ao IGP-M mais juros definidos no ato da compra. Também paga cupons semestrais de juros. Por último as NTN-F. Elas têm uma rentabilidade fixa mais um juro definido no momento da compra. Ufa!!!

– Ufa! Mas como eu compro esses títulos?

– Através do site do Tesouro Nacional! Você só precisa ter um CPF, morar no Brasil e ter conta corrente em um banco…

– Fácil assim?

– Mais ou menos. Você precisa estar cadastrada em algum agente de custódia que pode ser corretora de valores ou algum banco habilitado. Esse agente é o responsável por garantir que o governo irá receber o dinheiro investido.

– E esse agente de custódia cobra alguma coisa?

– Cobra sim. A CBLC cobra uma taxa de custódia de 0,4% ao ano, já que ela vai guardar seus títulos. Os agentes de custódia cobram taxas que podem chegar a 4% ao ano. A maioria cobra menos de 0,5% e algumas corretoras não cobram nada! Somando tudo você pode pagar menos de 1% ao ano, o que é muuuuito melhor que muitos fundos de renda fixa por aí.

– E o Imposto de Renda?

– Incide como em qualquer outro fundo de renda fixa. Aplicações de até 180 dias, 22,5%. Aplicações de 181 a 360 dias, 20%. Aplicações de 361 a 720 dias, 17,5% e para aplicações de mais de 720 dias a alíquota é de 15%.

– Legal! Gostei! A partir de R$100,00? Vou investir!

Links úteis:

Manual do investidor no Tesouro Direto (versão em PDF e online)

Dinheirama – Por dentro do Tesouro Direto

Crédito da imagem em paulhami.edublogs.org

setembro 28, 2007

Reserva de emergência

Posted in Dicas, investimentos tagged , , , às 09:21 por Arthur Gouveia

Você pagou suas contas e guardou um pouco para o futuro. O mês ainda não acabou? Parabéns! Você tem muitos méritos! Se ainda tem um dinheirinho na sua conta, é hora de fazer uma reserva de emergência.

Que tipo de emergência?

Deixemos as coisas muito bem claras. Uma super liquidação de sapatos, uma promoção de livros e DVDs, um feirão de carros com juros de 0,99% a.m. parcelado em 84 vezes, uma grande queima de estoques de eletro eletrônicos não são emergências! Continue lendo »

setembro 26, 2007

Pague a si mesmo…

Posted in investimentos tagged , , , , , , , às 19:06 por Arthur Gouveia

Você trabalha, recebe por isso e seus rendimentos lhe permitem pagar todas suas contas, certo?. Espere um pouco, seu salário é dedicado apenas a pagar dívidas? Então você está pagando para trabalhar!

Não adianta se iludir; um dia você não irá trabalhar mais. Seja por opção ou seja por falta dela. Será que no momento em que os rendimentos do seu trabalho desaparecerem suas contas também sumirão? Será que o INSS será capaz de manter seu padrão de vida ao fim de sua carreira? E os seus sonhos, você tem como realizá-los hoje?

Muitas perguntas e todas com uma única resposta: devemos, hoje, pensar no amanhã. É necessário olhar para o futuro e cuidar bem dele desde hoje.

Mas como cuido do meu futuro?

Investindo. Imagino que hoje o seu salário consiga pagar as suas contas e sobrar um pouquinho. Invista isso! Repito: se o seu salário é todo consumido no pagamento de dívidas, há algo errado, muito errado! No artigo anterior tratamos sobre este assunto.

Eu uso os meus investimentos para cuidar do meu futuro. Para complementar minha aposentadoria, para que eu possa viajar no fim do ano, para que eu possa trocar de carro, para comprar minha casa. Os investimentos não devem ser usados para ganhar dinheiro rápido e fácil, mas para que o dinheiro que você ganha hoje possa realizar sonhos futuros.

Que tipos de investimento eu devo fazer?

Depende. Eu sei que esta resposta talvez não seja a que você esperava, mas esta é a única resposta correta. Não existem soluções mágicas ou pacotes prontos que atendem a qualquer um. O investimento ideal é aquele que é compatível com o seu perfil de risco, com a sua capacidade de investir mensalmente e com o montante que você tem hoje para aplicar.

Geralmente os bancos oferecem vários fundos de renda fixa ou variável e eles costumam ter características comuns: quanto maior o aporte inicial – quantidade de dinheiro entregue no primeiro depósito – menor a taxa de administração – o quanto o banco cobra para cuidar do seu dinheiro.

Algumas outras alternativas são os CDBs, fundos de ações, poupança, ações (compradas diretamente via corretora), títulos do governo (via tesouro direto). Lembre-se: existem investimentos para qualquer perfil de risco e disponibilidade de dinheiro.

Arthur, você tá me enrolando….

Talvez, mas não será possível cobrir todas as alternativas de investimento em um único artigo. Prometo fazer vários artigos cobrindo vários tipos de investimentos, suas vantagens e desvantagens. Mas pra contornar um pouco a ansiedade darei algumas dicas de ouro para seus investimentos.

  • Não se preocupe em investir muito. Crie um plano, uma rotina e invista sempre!
  • Diversifique seus investimentos buscando diferentes níveis de risco e rentabilidade
  • Invista pouco, mas invista sempre
  • Mantenha seu foco no futuro, no longo prazo.
  • Invista pouco mas invista sempre
  • Compare as taxas, lembre-se dos impostos
  • Invista pouco mas invista sempre!!!!

Ah, quase ia me esquecendo. Falei pra investir sempre????