09.25.07
O Brasil crescerá devido à demanda interna! E isso é bom?…
Li algumas matérias na Folha recentemente e, ligando os pontinhos e somando 2 + 2 cheguei a alguns pensamentos interessantes que vou compartilhar com vocês.
Hoje o Presidente do Banco Central Henrique Meirelles disse que o efeito da redução da taxa de juros ainda não influenciaram totalmente a economia brasileira. Ele disse que tal fator, juntamente com o crescimento da demanda interna, irá ajudar no crescimento do PIB em 2008.
Mas, Arthur, é claro que o crescimento da demanda interna é algo bom!
Sem dúvida. Isso é sinal de que as pessoas estão comprando, que o dinheiro está circulando, que o Brasil está melhorando. E o que é mais interessante, associado à redução da pobreza, é que o boom de crescimento pode estar acontecendo entre as classes C e D.
Entretanto, no 4º fórum de economia, realizado pela FGV semana passada, alguns economistas falaram sobre a “Doença Brasileira“. E este crescimento da demanda interna pode agravar o problema.
Doença Brasileira, o que é isso?
Vamos lá, deixem-me tentar explicar. O nome vem de um caso ocorrido na Holanda no início dos anos 1980. Naquela época a forte receita vinda da exportação do gás natural valorizou fortemente o florim – moeda holandesa à época – e isso começou a derrubar as exportações dos outros setores da economia local. Ao fenômeno de super exploração de recursos naturais com forte valorização da moeda prejudicando a indústria local, os economistas deram o nome de “doença holandesa“.
Atualmente alguns economistas dizem que o Brasil pode estar vivendo algo semelhante. O argumento é que as fortes receitas oriundas das exportações de commodities básicas (produtos agrícolas, metais etc.) associadas ao Real supervalorizado estão compensando a queda nas exportações de produtos industriais com maior valor agregado.
O risco é o Brasil, com o passar do tempo, ir sucateando a indústria por falta de competitividade externa gerando um processo de desindustrialização.
Caramba! Mas isso é mesmo verdade???
Pode ser, pode não ser. Existem algumas discrepâncias relacionadas a este assunto. Alguns dados apontam que, alguns setores industriais, devido ao aquecimento da economia brasileira, têm diminuído o foco nas exportações e aumentado a ação no mercado interno. E para abranger um público maior, estes setores têm reduzido a qualidade de seus produtos para atender às classes mais baixas da população já que estas pessoas estão com dinheiro no bolso e crédito facilitado. Outro ponto mostrando a desindustrialização do Brasil é o fato, apontado pela FIESP, de a participação relativa de nossas indústrias no PIB industrial de países emergentes ter caído.
Entretanto, dados do IBGE sobre o PIB mostram que a indústria está crescendo e colaborando muito com o crescimento da economia e a indústria de transformação, mais sofisticada, liderou o crescimento.
O assunto é interessante e complexo. Aparentemente tudo corre bem, mas com a desvalorização do dólar, crescimento da exportação de commodities e aquecimento da demanda interna, será que nossas indústrias continuarão crescendo?
As notícias sobre as quais falei no início do artigo podem ser lidas nos seguintes links: http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/fernandocanzian/ult1470u330986.shtml http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u331307.shtml
